sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cloroforme pra desacordar



Cair da cama três vezes ao dia
Encher e esvaziar o estômago de palavras
À noite pedir a deus que deus exista
À noite me desabe o teto finalmente luz

Até que enfim repouso sobre mil navalhas
Até que enfim nocauteado pela sua ausência
Cair e acordar na cama, um outro mês um outro dia
Procurar um nome em cada rosto me desvenda esse lugar

Até que ao fim da longa volta pra casa
Até que partam os sinos uma nova canção no ar
Regendo-a, a partitura duma smog fúnebre
Para a cria da cadela que atiraste ao mar

Até que ao fim da longa volta pra casa
Até que partam os sinos uma nova canção no ar
Sufocado pela mão-de-ferro que segura o lenço, peço
Cloroforme pra desacordar.

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